Destaques, Geral

Publicado em 8 de junho de 2013 às 17:26.

IMPRIMINDO A HISTÓRIA

Trajetória do jornalismo impresso em Lagoa Vermelha

“O homem compromete-se com a história de sua vida e de povo sob duas posturas: quando age no dia a dia provocando transformações na realidade e quando é capaz de registrar fatos e acontecimentos individuais e coletivos sob o ângulo da sinceridade e da observação real do contexto de um povo”, ex-prefeito Eli Pegoraro, na apresentação do livro “Lagoa Vermelha e municípios vizinhos”, de Pércio de Moraes Branco.


Reportagem: Débora Padilha de Oliveira
debora@gazetaregionalrs.com.br

Primeiro veículo de comunicação do município nasceu há 103 anos. Jornal O Irís durou apenas dois anos, mas a sua importância se confirmou ao ter inaugurado a história do jornalismo na cidade, que já registrou a circulação de mais de 20 jornais impressos

                   Para quem está acostumado com a facilidade de ter a informação à sua mão a qualquer momento e em tempo real fica difícil imaginar em como se fazia jornalismo no início do século passado. E foi nessa época – em que o processo de coleta, produção e disseminação das notícias passava longe da forma instantânea de hoje – que nasceu o primeiro veículo de comunicação de Lagoa Vermelha. Em 1º de janeiro de 1.910 a população, pela primeira vez, recebeu informações jornalísticas em folhas de papel. O jornal O Íris – órgão do Partido Republicano – inaugurou a caminhada do jornalismo na cidade e circulou por dois anos, conforme registros na obra Efemérides vermelhenses, de Nívio Castellano.

ARTE CARLINE MORETTO/GAZETA REGIONAL

ARTE CARLINE MORETTO/GAZETA REGIONAL

Conforme o autor, o primeiro órgão de imprensa a aparecer em Lagoa Vermelha era dirigido pelo advogado Hildebrando do Amaral Fão e tinha como gerente proprietário Lídio Fileto de Oliveira. O jornal, que circulou no mesmo período em que fora inaugurada a Igreja Matriz São Paulo Apóstolo – construída em madeira, com duas torres – deu a largada à trajetória que seguiria com a circulação de mais de 20 veículos impressos ao longo da história, alguns efêmeros, outros duradouros.

A Ordem: Em 1917, o jornal A Ordem circulou com proposta político-partidária, quando defendia os interes

ses do Partido Republicano Rio-Grandense e, na política local, apoiava a facção de Maximiliano de Almeida, Intendente Municipal (termo utilizado para chamar o chefe do poder Executivo). O jornal era impresso em tipografia e mudou de nome posteriormente, passando a ser A União, voltando, depois, a assumir o título anterior. Sua publicação durou cerca de seis anos, quando a oficina tipográfica foi empastelada pelas forças revolucionárias do general Felipe Portinho em 1923.

A Lanterna e O Colibri: Também em 1917 o jornal A Lanterna, jornal de combate, teve duração efêmera. Esse veículo defendia a corrente política local chefiada pelo antigo Intendente Heliodoro de Moraes Branco, que, naquele tempo, estava em luta com a facção de Maximiliano de Almeida. Conforme descreve Nívio Castellano, “era escrito em linguagem violenta, insolente e injuriosa e que levou, em pouco tempo, a tipografia ser invadida e empastelada por um grupo de populares da sociedade local”. Ainda em 1917 circulou durante alguns meses o jornal humorístico O Colibri, que fazia humorismo com elementos da sociedade. Teve seu nome mudado para A Fagulha e em breve desapareceu.

A Chica e o Pharol: O jornal A Chica, que apareceu em 1918 e inscrevia em seu cabeçalho “jornal nervoso, vesgo e germanófilo”, teve poucos números publicados. Já O Pharol teve sua publicação iniciada no dia 17 de março de 1920, também órgão republicano e publicado semanalmente com irregularidades. O último número de O Pharol foi em 2 de junho de 1921.

 O Alarme: Esse jornal humorístico circulou em 1921 e 1922. O Rosicler também humorístico, que teve o primeiro número em 11 de julho de 1925. O Flirt apareceu em junho de 1926, como “órgão crítico, humorístico e noticioso”, conforme descreve Castellano. O autor Fidélis Dalcin Barbosa, na obra “Lagoa Vermelha e sua história” também registra a existência do jornal Mensageiro Luterano, entre 1924 e 1925.

Nova era sócio-cultural

O jornal Alto Falante é citado por Castellano como o mais importante dos jornais humorísticos publicados em Lagoa Vermelha, com início em 20 de março de 1928. O veículo promoveu eventos sociais e festas literárias e é considerado o marco “de uma nova era social e cultural no desenvolvimento de Lagoa Vermelha”. O Lagoense, “jornal independente em defesa dos interesses locais” circulou entre 1927 e 1928. O próximo periódico foi O Povo, criado em 1931, um veículo com curta duração que defendia

o Partido Libertador. Já O Eco do Nordeste apareceu em 7 de maio de 1931, tendo 62 edições. Posteriormente O Eco Lagoense iniciou suas atividades em 1952 como órgão interno da escola técnica Duque de Caxias, sendo o veículo, até então, com o maior tempo de circulação, por 15 anos. O jornal O Município nasceu em 1958 e durou quatro anos e em 1961 surgiu o 20 de Setembro.

Conforme Barbosa, o Arauto Estudantil circulou de 1964 a

1969, órgão da União Lagoense de Estudantes Secundários, com publicações mensais. Também O Comunitário, fundado em 1968, teve 19 números.

Gazeta Popular: O jornal de maior tempo de circulação surgiu em de 15 de janeiro de 1972. A Gazeta Popular circulou por 31 anos e era impressa, inicialmente, nas oficinas da Gráfica Lagoense. A Biblioteca Pública Municipal mantém o acervo com as publicações de todas as edições do periódico de forma encadernada e organizada anualmente.

 Veículos em circulação atualmente

Recente também se observou a presença do jornal Contrabando de Informação, que nasceu em fevereiro de 2011 e existiu durante aquele ano. O Contrabando produziu matérias voltadas à arte e à cultura. O periódico teve duas edições e se apresentou ao público por meio de um varal e de um blog. Outro jornal impresso que circula é A Chuva, um periódico existente desde 2009 que não tem data fixa para circular. Conforme os próprios criadores, é um “um espaço aberto a visões contraditórias”. Os fundadores “são amigos que se encontraram,

todos amantes da escrita, sem nenhuma responsabilidade partidária nem apego às suas próprias opiniões”.

Atualmente, circula semanalmente às sextas-feiras a Folha do Nordeste, que nasceu em 1991 e é editada pela Nepomuceno Empresa Jornalística Ltda. Fazem parte ainda dos periódicos impressos a NG Revista, existente desde junho de 2002 e a Revista Glam, fundada em novembro de 2009, ambas mensais. O jornal O Regional – que nasceu em 2005 – ao completar oito anos de circulação, anunciou fusão com a Gazeta Regional, que registra sua primeira edição em 7 de junho de 2013 como o novo jornal de Lagoa Vermelha e da região, com linha editorial voltada à proposta de levar informação com credibilidade e com foco no interesse social.

LINHA DO TEMPO DOS PRINCIPAIS PERIÓDICOS QUE CIRCULARAM EM LAGOA VERMELHA

LINHA DO TEMPO DOS PRINCIPAIS PERIÓDICOS QUE CIRCULARAM EM LAGOA VERMELHA

 

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